Não existe um rendimento mínimo fixo para obtenção de crédito em Portugal. O que as instituições avaliam é a taxa de esforço (a percentagem do rendimento líquido destinada às prestações mensais acordadas no plano de pagamento). Por recomendação do Banco de Portugal, o limite é de 50%, que é um dos aspetos que fazem a diferença na aprovação de um crédito

Índice de Conteúdos

Se estás a pensar recorrer a financiamento (seja para obras em casa, adquirir um automóvel ou concretizar um projeto que ficou demasiado tempo na gaveta), uma das primeiras dúvidas que seguramente terás tido é esta: “Será que tenho rendimentos suficientes para me aprovarem um crédito?”.

Esta é uma questão que deve ser ponderada e com o propósito de chegar à conclusão: consigo pagar o crédito de forma sustentável e responsável? Isto algo que o Credibom, que está sempre a fazer mais por ti, avalia durante o processo com rigor e transparência, mas de forma agregada no que designamos por taxa de esforço.

O rendimento mínimo necessário para obter um crédito é uma questão relativa

Em Portugal, não existe um rendimento mínimo legalmente definido que funcione como condição de acesso a créditos ao consumo (p. ex., pessoal ou automóvel). O que as instituições financeiras analisam (em conformidade com as recomendações do Banco de Portugal – BdP) é a proporcionalidade entre o rendimento do agregado familiar e o conjunto das prestações mensais de todos os créditos em vigor.

Esta lógica tem uma implicação importante: é que alguém com um rendimento elevado pode, ainda assim, ver o pedido recusado por já ter demasiadas responsabilidades financeiras em simultâneo. Inversamente, quem auferir o salário mínimo pode obter aprovação, desde que a nova prestação a assumir seja proporcional ao rendimento disponível.

A resposta à pergunta “quanto preciso de ganhar?” passa, invariavelmente, por compreender o conceito de «taxa de esforço».

O que é a taxa de esforço e como condiciona a aprovação de um crédito

A taxa de esforço corresponde à percentagem do rendimento líquido mensal do agregado familiar destinada ao pagamento de prestações de crédito, abrangendo todos os empréstimos ativos (habitação, automóvel, pessoal, linhas de crédito e cartões); o seu cálculo é bastante simples:

Taxa de esforço = (Total das prestações mensais / Rendimento líquido mensal) × 100

Por recomendação macroprudencial do BdP, as instituições de crédito não devem conceder novos empréstimos quando a taxa de esforço resultante (já com o novo crédito incluído) ultrapassa os 50% do rendimento líquido do requerente. Este limite desempenha funções de mecanismo de proteção contra situações de sobre-endividamento em que os consumidores possam cair.

Na prática, os especialistas em finanças pessoais consideram que uma taxa de esforço equilibrada e saudável se situa entre os 33% e os 35%, deixando margem suficiente para despesas correntes, constituição de poupança e imprevistos do quotidiano.

Exemplo prático com o salário mínimo definido para 2026

Em 2026, o salário mínimo nacional fixou-se nos 920 € brutos mensais, um aumento de 5,7% face ao ano anterior, de acordo com o Governo. Quem aufere este valor encontra-se isento de retenção em sede de IRS, mas sujeito ao desconto obrigatório de 11% para a Segurança Social, o que resulta num rendimento líquido mensal de aproximadamente 818,80 €.

Tendo este valor como referência e aplicando os critérios geralmente adotados pelas instituições financeiras, os limites estimados de prestação mensal seriam os seguintes:

Cenário Taxa de esforço Prestação máxima estimada
Ideal 33% ≈ 270 €
Razoável 35% ≈ 287 €
Limite máximo (BdP) 50% ≈ 409 €

Nota: estes valores pressupõem a inexistência de outros créditos ativos. Caso já existam responsabilidades financeiras em curso, o valor disponível para uma nova prestação será proporcionalmente inferior.

Queres compreender melhor os fundamentos do crédito antes de avançares? O nosso artigo «Crédito para Dummies: tudo o que precisas de saber sobre crédito» é uma excelente introdução.

Outros critérios que influenciam a aprovação

A taxa de esforço é o critério central, mas não o único. As instituições financeiras avaliam um conjunto de fatores complementares que, em conjunto, constroem o perfil de risco do requerente:

Historial de crédito

A consulta do Mapa de Responsabilidades de Crédito, emitido pela Central de Responsabilidades de Crédito (CRC) do BdP, permite verificar a existência de incumprimentos anteriores. Um histórico negativo pode ser determinante para a recusa, independentemente do teu rendimento atual.

Estabilidade profissional

O tipo de vínculo laboral (p. ex., contrato sem termo, a termo certo ou de prestação de serviços) que possuis tem impacto direto na perceção de risco da instituição. Em geral, as situações de maior estabilidade contratual são vistas como sendo mais favoráveis.

Finalidade e tipo de crédito

Cada produto financeiro tem condições e processos de análise distintos. Por exemplo, o Crédito Pessoal do Credibom cobre uma vasta gama de necessidades, enquanto o Crédito Pessoal Simples é mais adequado a projetos de menor encargo financeiro.

Há ainda soluções específicas para obras, mobiliário, eletrodomésticos e férias, adaptadas a diferentes perfis e objetivos.

Composição do agregado familiar

O número de pessoas dependentes do mesmo rendimento pode influenciar a avaliação da capacidade financeira real.

Estratégias para melhorares as tuas hipóteses de aprovação

Se a tua taxa de esforço atual se encontra próxima do limite, existem formas concretas de reforçares o teu perfil financeiro antes de submeteres um pedido de crédito:

  • Liquida créditos existentes: eliminar responsabilidades financeiras em curso reduz diretamente a tua taxa de esforço e aumenta o rendimento disponível para um novo empréstimo;
  • Opta por um prazo mais alargado: um prazo alargado do tempo de contrato resulta numa prestação mensal mais baixa, o que melhora a tua taxa de esforço sem alterar o montante total solicitado. Não te esqueças, contudo, de que quanto mais longo for o prazo de reembolso, maior será o Montante Total Imputado ao Consumidor (MTIC);
  • Adiciona um cotitular ao pedido: a inclusão de um segundo titular permite-te somar rendimentos e distribuir o encargo, o que pode ser decisivo para a aprovação;
  • Adequa o montante à tua capacidade real: pede apenas o necessário e não o máximo possível; é algo que te ajudará a garantir uma prestação confortável e uma taxa de esforço sustentável a longo prazo.

Se o teu objetivo for financiar melhorias no espaço de habitação, o artigo «Sabia que pode pedir um crédito para obras?» explica-te em detalhe esta solução específica do Credibom.

Simula antes de decidires

Conheceres a tua taxa de esforço antes de avançares com um pedido de crédito é, porventura, a etapa mais importante de todo o processo, já que te permite tomar decisões financeiras conscientes, evitar recusas inesperadas e garantir que o crédito solicitado é verdadeiramente sustentável a médio e longo prazo.

No Credibom, o processo é 100% digital, transparente e sem surpresas; o simulador de crédito pessoal disponível em credibom.pt permite-te calcular a prestação estimada em função dos montante e prazo pretendidos, de forma gratuita e sem qualquer compromisso, para que tomes a melhor decisão com toda a informação necessária.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Qual é o rendimento mínimo necessário para obter crédito em Portugal?

Não existe um rendimento mínimo determinado por lei para aceder ao crédito ao consumo em Portugal. A aprovação depende, sobretudo, da taxa de esforço do requerente, ou seja, da percentagem do rendimento líquido mensal destinada ao pagamento de todas as prestações de crédito ativas. O Banco de Portugal (BdP) recomenda que este indicador não ultrapasse os 50% do rendimento líquido.

2. Quem recebe o salário mínimo pode pedir um crédito pessoal?

Sim. Receber o salário mínimo não impede, por si só, o acesso ao crédito pessoal. Em 2026, o salário mínimo nacional corresponde a 920 euros brutos mensais, o que equivale a cerca de 818,80 euros líquidos (após o desconto de 11% para a Segurança Social). Desde que a prestação mensal resultante permaneça dentro dos limites da taxa de esforço recomendada, é possível obter aprovação.

3. Como se calcula a taxa de esforço?

A taxa de esforço calcula-se dividindo o total das prestações mensais de todos os créditos ativos pelo rendimento líquido mensal e multiplicando o resultado por 100. Por exemplo, um rendimento líquido de 800 euros com prestações mensais totais de 240 euros corresponde a uma taxa de esforço de 30% (dentro do intervalo considerado equilibrado pelos especialistas).

4. O que acontece se a taxa de esforço ultrapassar os 50%?

Por recomendação do BdP, as instituições financeiras não devem conceder novos créditos a consumidores cuja taxa de esforço (incluindo o novo empréstimo) supere os 50% do rendimento líquido. Nestes casos, poderás considerar incluir um cotitular no pedido ou liquidar créditos existentes antes de apresentares um novo pedido.

5. O Credibom disponibiliza algum simulador para calcular a prestação de um crédito pessoal?

Sim. O Credibom disponibiliza um simulador de crédito pessoal em credibom.pt que permite calcular a prestação estimada com base nos montante e prazo pretendidos. A simulação é gratuita, sem compromisso e totalmente digital.